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mardi 9 septembre 2008

Portugal, Alunos chumbam menos mas não sabem mais

As taxas de retenção nos ensinos básico e secundário baixaram, mas especialistas duvidam que os alunos saibam mais. Chumbar é tarefa cada vez mais difícil para os professores, numa escola que dizem ser pouco interessante e exigente.
"A carga burocrática quando se pretende reter um aluno, sobretudo no ensino básico, é muito grande e maior do que era há uns anos atrás. Não nos atirem areia para os olhos porque estes resultados não significam uma melhoria real das aprendizagens", assegura o presidente da Associação de Professores de Português (APP), Paulo Feytor Pinto.
Em declarações à Lusa, também o director do Centro de Investigação em Educação (CIED) da Universidade do Minho, José Pacheco, refere que a descida do insucesso escolar tem sido operada, nos últimos anos, por mudanças ao nível da avaliação, tendo-se transformado o chumbo de um aluno "num processo complexo e burocrático" para os docentes.
"As elevadas taxas de retenção que se registavam há uns anos atrás eram incomportáveis para qualquer Governo, por causa da comparação dos resultados a nível internacional. Agora reter um aluno é um processo difícil, o que faz com que, estatisticamente, haja uma diminuição significativa dos chumbos. Só resta saber até que ponto isso corresponde a uma melhoria das aprendizagens", afirma o investigador.
Segundo dados divulgados pelo Ministério da Educação, a taxa de chumbos no ensino básico e secundário atingiu este ano o valor mais baixo da última década, com a maior diminuição a registar-se no terceiro ciclo.
JN

samedi 23 août 2008

Miróbriga vai passar a Monumento Nacional

Património. Reavaliação de classificações
As ruínas romanas de Miróbriga, no concelho de Santiago do Cacém, vão ser o primeiro sítio arqueológico do Alentejo a conhecer reclassificação: Imóvel de Interesse Público desde 1940, Miróbriga passará a ser classificada como Monumento Nacional, prevendo-se que o mesmo venha a acontecer, também na região alentejana, com o Cromeleque de Almendres, no concelho de Évora.O director regional de Cultura do Alentejo (DRCALEN) afirmou à Lusa que o processo de reavaliação da classificação de Miróbriga se iniciará "em breve", podendo, contudo, "demorar algum tempo" até que seja tomada uma decisão formal. Segundo José do Nascimento, a ascensão a Monumento Nacional é, todavia, "uma medida clara" para a DRCALEN, visando dar "maior importância" àquele sítio arqueológico, um dos mais relevantes do País.Vítor Proença, presidente da Câmara de Santiago do Cacém, considerou, por seu turno, que "esta decisão vai ter consequências muito positivas para o município, que passará a contar com mais um Monumento Nacional" no seu território, "a par do castelo medieval e da igreja matriz".DRCALEN, autarquia e Liga dos Amigos de Miróbriga encetaram, entretanto, negociações com vista ao estabelecimento de um protocolo de colaboração para gestão conjunta do recinto.José do Nascimento referiu também estarem a ser instalados, em todos os monumentos da região, gabinetes de actividades socioeducativas, associativismo e voluntariado, para desenvolvimento de "um trabalho de animação sociocultural com as autarquias e as escolas". Ao abrigo da reestruturação dos serviços do Estado, recorde-se, a DRCALEN passou a ter sob sua tutela a gestão de 40 monumentos.

vendredi 22 août 2008

Tributo. Obra será lançada na próxima semana

A Asa vai reeditar Tudo o que não Escrevi, diário em dois volumes de Eduardo Prado Coelho. O lançamento, agendado para a próxima semana, coincidirá com a passagem do primeiro aniversário da morte do escritor, ensaísta, crítico, cronista e professor universitário. Num tributo ao autor, anunciou esta semana a editora, os dois volumes de Tudo o que não Escrevi surgirão no mercado "com uma nova imagem e numa caixa especial", expressamente concebidas para esta data.Eduardo Prado Coelho faleceu a 25 de Agosto de 2007, vítima de doença súbita, aos 63 anos. "Com ele desaparec[ia] o actor mais disponível, mediático e plural da cena portuguesa da sua geração e do nosso tempo. Tudo lhe interessou, do cinema à poesia, da crítica literária, que teve nele o seu cronista-mor, à ficção [...]. E naturalmente a política, de que foi, cedo, comentador empenhado e que nunca de todo abandonou", escreveu então Eduardo Lourenço, em evocação publicada no jornal Público, de que Prado Coelho foi colaborador assíduo desde a fundação.Nascido em Lisboa, a 29 de Março de 1944, filho de Jacinto do Prado Coelho, formara-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde foi assistente e se doutorou, em 1983.A par da docência, que exerceu depois na Universidade Nova e na Sorbonne, Eduardo Prado Coelho foi director de Acção Cultural no Ministério da Cultura após 1974 e, já em Paris, conselheiro cultural na Embaixada de Portugal e director do pólo local do Instituto Camões. Europália, Lisboa'94 e Salon du Livre'2000 tiveram o seu contributo, tendo sido ainda membro dos conselhos Directivo do CCB, Superior de Cinema, Audiovisual e Multimedia e de Opinião da RDP e da RTP.

Música para fazer o cérebro dançar

Antes de "Maximizing the audience", "A man of no fortune, and with a name to come" e "After virtue" consolidarem Wim Mertens como um dos mais relevantes músicos ligados à escola minimalista europeia, o belga editou, em 1982, sob a capa do ensemble Soft Verdict, um álbum, "Vergessen", feliz pela forma como expressa as virtudes da convivência tipológica.
Quer isto dizer que o LP recicla as influências, então previsíveis, de Mertens - La Monte Young, Philip Glass, Steve Reich, Harold Budd e Michael Nyman - e adiciona-lhes uma sensibilidade que, à época, prestava especial atenção às tonalidades electrónicas.
Não é por outra razão que "Inergys", "Circular breathing", "Mildly skeeming", "4 mains", "Multiple 12" e "Inergys (reprise)" constituem um notável mosaico, no qual a colisão entre clarinete, saxofone, flauta - além de outros sopros -, baixo, bateria electrónica, harpa, piano, sintetizadores e viola faz da música de "Vergessen" uma experiência intelectual tão estimulante.
Wim Mertens derivaria, posteriormente, para uma rigidez formal que, após "After virtue", o remeteu à quase insignificância estética, propondo, regra geral, discos alicerçados numa escrita de pendor pseudoclássico.
Nada que tenha impedido o crescimento de um culto de dimensão assinalável. Basta conferir, por exemplo, através do número de vezes que actuou em Portugal.
De qualquer forma, "Vergessen" ficará sempre como obra magna de um belga assumidamente cosmopolita.
Source Jornal de Noticias

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