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mercredi 10 septembre 2008

Novos imigrantes sobem 50%

No ano de 2006 Portugal registou em 2006 um aumento de quase 50 por cento de novos imigrantes legais, mas o crescimento efectivo não chegou às três mil pessoas, devido à partida de milhares.

De acordo com o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) divulgado esta quarta-feira, Portugal está entre os países que registaram um maior aumento de novos imigrantes, em termos proporcionais, a para da Dinamarca, Irlanda, Suécia. A maioria dos estrangeiros viaja agora para o nosso país para se reunir com os familiares já instalados e não para procurar trabalho.


No total, em 2006, mais de 42 mil estrangeiros viajaram para Portugal, mas, contabilizando também as saídas, o saldo fica apenas pelo aumento de cerca de 2.800 pessoas.

O Brasil é o país mais representado nas chegadas, com 25 por cento dos imigrantes. Ucrânia, Cabo Verde e Modávia seguem na tabela de nacionalidades mais representadas.

Em sentido contrário, as comunidades angolana, britânica e moçambicana foram as únicas que registaram uma diminuição no número de cidadãos a viver em Portugal entre 2005 e 2006.

Em termos totais, há dois anos viviam legalmente em Portugal cerca de 435 mil imigrantes, dos quais 73 mil eram de nacionalidade brasileira, 68 mil cidadãos cabo-verdianos e quase 42 mil pessoas de origem ucraniana.

lundi 8 septembre 2008

Manuela acusa controlo socialista

Quarenta dias depois, a líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, quebrou ontem o silêncio a partir de Castelo de Vide para atacar o Governo. Sem revelar propostas concretas, a presidente social-democrata optou por fazer um balanço do mandato governamental: um Executivo com "resultados medíocres" e que cria um "clima de mistificação só possível porque está apoiado numa máquina de comunicação e de acção pouco democrática".
Esta síntese arrebatou a plateia de jovens da Universidade de Verão da JSD. Depois, foi mais longe: 'Há uma impressionante máquina socialista que controla, que persegue, que corta apoios, que gere favores.' Perante o cenário, a líder do PSD quer 'libertar o País e as instituições do sectarismo partidário'.
A análise de Ferreira Leite não se ficou por aqui. No entender da líder do PSD houve 'retrocesso' na Administração Pública e na Segurança Interna o 'Governo falhou perigosamente'. Não reiterou o pedido de demissão de Rui Pereira, mas. Porém, questionou-se: 'Como é possível que o ministro da Administração Interna admita que se organize uma operação policial destinada a passar em directo na televisão escolhendo o terreno tristemente emblemático de bairros problemáticos?' Por fim, foi no capítulo da política económica que surgiu uma promessa: reduzir a fiscalidade ligada à criação de emprego pelas pequenas e médias empresas. Ao partido, pediu empenho para ganhar eleições.
DIAGNÓSTICOS POR SECTOR
Educação
A líder do PSD considera que a confiança na qualidade e exigência do sistema educativo 'não melhorou' e que a autoridade e prestígio dos professores é alvo de um ataque sem precedentes.
Saúde
Aqui 'as políticas mudam com os ministros', refere Ferreira Leite, com o Serviço Nacional de Saúde a sofrer 'uma sangria de médicos e pessoal qualificado' cuja prova são as rupturas nos serviços centrais.
Agricultura
As queixas e as dificuldades causadas por 'políticas erradas e surdas aos apelos [são] caladas com o estrangulamento financeiro e premeditado das associações representativas do sector'.
Justiça
As promessas de melhorar a Justiça 'redundaram na confusão no sector', garante a líder do PSD, que considera estar presente um 'sentimento de que também a Justiça é impotente perante as injustiças'.
... E DESAFIOS NO PLENÁRIO
Segurança
O debate sobre a Lei de Segurança Interna, promulgada por Cavaco Silva, vai ter o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, na mira das críticas do PSD, que exige a sua demissão.
Lei do Divórcio
A Comissão Permanente reúne-se amanhã para analisar os dois diplomas que foram alvo do veto presidencial: a Lei do Divórcio e o Estatuto Político-Administrativo dos Açores, que o PSD votou contra.
Orçamento
O Orçamento do Estado para 2009 está na mira do PSD, que tem vindo a criticar a política económica do Governo. Ferreira Leite defende uma mudança de rumo ao nível dos investimentos.
Código laboral
A nova legislação laboral, para a qual Sócrates garantiu o acordo em concertação social, não reúne consenso, com críticas da CGTP e do socialista Manuel Alegre, que a consideram 'desfavorável'.
SANTOS SILVA CRITICA 'BOTA-ABAIXO'
Mal a líder do PSD terminou o discurso em Castelo de Vide, Governo e PS apressaram-se a reagir. O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, afirmou à TSF que a intervenção de Manuela Ferreira Leite foi 'um discurso do bota-abaixo', sem uma ideia para confrontar.
'É falso dizer que se perdeu postos de emprego com o actual Executivo', respondeu Augusto Santos Silva,insistindoquetambémé 'falso que a reforma da Administração Pública equivalha a qualquer espécie de controlo partidário'. Mais: 'Foi este Governo que reinstituiu os concursos para cargos de direcção na Administração Pública a nível de directores de serviço e chefes de divisão', sublinhou o também membro do secretariado nacional socialista, órgão executivo do partido.
AVISO PARA UM ESTADO VULNERÁVEL À CORRUPÇÃO
No longo discurso de 29 páginas a líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, alertou ontem para o facto de o Estado poder ser 'muito vulnerável à corrupção, ao tráfico de influências e enriquecimento ilícito – fenómenos que devem ser eficazmente combatidos na sua expressão efectiva mas que devem sobretudo ser prevenidos com determinação e seriedade'.
Mais, a presidente laranja avisou que 'de pouco serve aprovar leis contra a corrupção quando a organização é caótica, instável e politizada'. A análise da dirigente converge com a intervenção da véspera do militante e professor universitário Pacheco Pereira.
Oex-eurodeputadoalertou para os negócios discutidos directamente entre os gabinetes ministeriaiseosgruposeconómicos, sem escrutínio parlamentar ou público.'Éumatendência muito perigosa. É um caldo de cultura que favorece a corrupção.Nãose sabe se são negócios em nome do interesse público, ou não. Se há favorecimentoou não', defendeu ainda José Pacheco Pereira, que pediu aos jovens para se empenharem seriamente no combate aos 'problemas de corrupção que, por razões estruturais, se vão colocar', e aos quais chamou de 'nova corrupção'.
REACÇÕES
Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP
'Ainda hoje [ontem] foi dito pela principal responsável do PSD que em relação aos salários e às pensões: tenham paciência. Isto demonstra que há um bloco central. A líder do PSD não apresentou alternativas [...] Tudo como dantes, quartel-general em Abrantes. Não pode apresentar alternativas porque o PSD está a executar as mesmas políticas do PS para continuar a exploração dos trabalhadores.'
Fernando Ruas, Presidente da Câmara de Viseu
'Fiquei satisfeito. Achei que foi um discurso muito bem conseguido. [...] Houve tempo para o preparar. Mas ficaria ainda mais satisfeito com a intervenção da presidente do partido se tivesse havido uma palavra ao poder local. Só faltou uma palavra ao poder local. [...] Haverá eleições autárquicas [no próximo ano] e o PSD é o partido que tem maior número de câmaras.'
Guilherme Silva, Deputado
'Em minha opinião, acho que foi um excelente discurso de rentrée. A intervenção da presidente do partido, Manuela Ferreira Leite, conseguiu ser uma síntese. Falou aos militantes e fez uma reflexão profunda sobre o País. [...] Foi uma intervenção contundente, abordando as questões sociais [...] e as linhas programáticas alternativas por parte do PSD face ao PS que considero estarem adequadas.'
DN

vendredi 5 septembre 2008

Pedroso retoma lugar de deputado

Paulo Pedroso vai retomar o seu lugar de deputado na Assembleia da República, que regressa depois de ter ganho a acção interposta contra o Estado por prisão preventiva ilegal no âmbito do processo da Casa Pia, anunciou hoje o líder da bancadaparlamentar socialista, Alberto Martins.
Em comunicado, Alberto Martins informou que grupo parlamentar socialista comunicou ao presidente da Assembleia da República que 'cessaram as razões, por este em tempo invocadas, de impossibilidade temporária para o exercício do mandato de deputado'. Paulo Pedroso suspendeu o mandato em 2003, depois de ter sido detido no âmbito das investigações do processo Casa Pia, mas candidatou-se de novo nas eleições de 2005, em 14º lugar na lista do PS por Setúbal.O regresso ao Parlamento acontece cinco dias após Paulo Pedroso ter ganho a acção interposta contra o Estado por prisão ilegal no caso Casa Pia, depois do juiz responsável pelo caso ter considerado que a detenção foi um 'erro grosseiro'. No mesmo dia em que foi anunciada a sentença, o Ministério Público avançou que vai recorrer da decisão

Salários de gestores custaram 34 milhões

Os gestores públicos de 77 das maiores empresas públicas, um universo que representa 90 por cento do grupo de 84 sociedades anónimas e entidades públicas empresariais mais relevantes detidas pelo Estado, custaram 34,2 milhões de euros em 2007. Com uma média de 4,8 administradores por empresa, as cofres públicos acabaram por despender com cada gestor em média 6633 euros brutos por mês, montante superior ao salário bruto mensal do primeiro-ministro.Conheça todos os pormenores na edição de sexta-feira do jornal 'Correio da Manhã'.

» COMENTÁRIOS
05 Setembro 2008 - 19h04 Jorge Towers LxCom estes salarios chorudos é k habitualmente as Empresas utilizam para fazerem as médias salariais k fazem criar impacto. Só k meia dúzias desses Srs é k levam o bolo e os outros serviram apenas para entrar na média. Onde está a veracidade dos números apresentados?! Cada um utiliza o seu método para dar o resultado pretendido, uma vez à percentagem outra à média.Vai dar sempre ao mesmo!
05 Setembro 2008 - 18h35 Joao Carrilho Cada dia que passa tenho mais saudades do Zeca Afonso,eles comem tudo eles comem tudo,eles comem tudo e não deixam nada,
05 Setembro 2008 - 15h57 José Porreiro pá!!!
05 Setembro 2008 - 15h09 tantaimcompetenciaContas feitas será cerca de 10000€ (2mil contos)por admistrador ou gestor, claro que se tem de pagar bem a estes cerebros, dar-lhes motivação para bulirem!!!!!!!!!
05 Setembro 2008 - 15h08 Sandra Claro que devem ser bem pagos, mas tudo acima de 4000 euros é uma vergonha para a democracia e para quem só ganha o salario minimo e se trabalha muito mais, é por estas razões que vou deixar de votar PS e PSD;
05 Setembro 2008 - 15h02 R.Mendes Custaram tanto para destruirem o pouco que há, paga zé povinho
05 Setembro 2008 - 14h22 Carlos Monteiro Vejamos então! 4,8 administradores por empresa. 6633€ por Administrador. Por que não haver só um administrador por empresa?. O que o Estado poupava nestes senhores dava para investir nas Forças de Segurança que decerto são mais úteis á nação. E quanto o Estado vai pagar, no futuro, em reformas? Acabe-se com a demagogia e passemos á realidade concreta de chamar pelo nome ás coisas. Chulice!
05 Setembro 2008 - 14h21 acruz Nem com estes salários os jeitosos gestores, nomeados pelas direcções dos maravilhosos clubes politicos, conseguem levar por diante a produtividade do país.
05 Setembro 2008 - 14h19 Eduardo Pessoa Alguns, poucos, justificarão proventos excepcionais, mas outros, a maioria, não tem capacidade para justificar uma simples remuneração.
05 Setembro 2008 - 14h14 Fernando Rocha Assim se justifica a minha pensão por invalides ser de 236€/mês. Viana do Castelo

mardi 2 septembre 2008

Portugal - Lisboa. Prédio da Cofina origina processo contra Câmara

Moradores afirmam que estão "emparedados" pelo novo edifício Quarta-feira há uma reunião da câmara na freguesia em causa Um grupo de moradores da Rua Mateus Vicente, em Benfica, vai interpor uma acção judicial contra a Câmara Municipal de Lisboa devido à construção da nova sede da Cofina (grupo de que fazem parte títulos como Correio da Manhã ou Sábado), na Rua José Maria Nicolau, em frente ao Estádio da Luz, afirmou ao DN uma das moradoras, que prefere manter o anonimato."Não aceitamos as respostas que nos deram", afirma a moradora, cuja vista foi tapada pela construção do edifício, que tem já quatro andares. Esta responsável explicou ainda que o caso vai ser avaliado por um advogado e que, para já, o processo judicial será apenas contra a CML, já que os moradores não sabem se têm "algum motivo contra a Cofina".Quando comprou a casa, foi dito à moradora que o prédio que seria construído no terreno em frente ao terraço não teria mais de dois andares. Só que o edifício da Cofina tem actualmente quatro pisos. "Nós vamos ficar emparedados". O projecto do prédio - que pertence à empresa Torres da Luz, da qual Paulo Fernandes, presidente da Cofina, é administrador - foi aprovado pela CML a 31 de Janeiro deste ano.Devido aos protestos dos moradores, a Polícia Municipal de Lisboa foi fiscalizar a obra, no dia 31 de Julho, e e elaborou um relatório em que propõe o embargo. A recomendação da Polícia foi remetida a Manuel Salgado, vice-presidente da CML e vereador do Urbanismo que, em declarações ao Expresso, afirmou ser "despropositado o embargo". Até ao fecho desta edição, não foi possível contactar o arquitecto.Ao DN, fonte oficial da Cofina afirma que "o edifício que a empresa Torres da Luz está a promover em Lisboa, possui todas as licenças e preenche todos os requisitos necessários ao desenvolvimento do projecto. Quer ao nível da cércea, quer da área de construção ou da volumetria, está em conformidade com as licenças emitidas pelas autoridades responsáveis".Para quarta-feira está marcada uma reunião pública descentralizada da CML, que se destina ao munícipes das freguesias de Carnide e São Domingues de Benfica (esta última abrange o prédio em questão). O grupo de moradores dos prédios em volta, que reúne já cerca de 400 pessoas, vão tentar expor o caso. "Nós vamos à reunião se eles nos deixarem", conclui a moradora. Com P.B.
JN

jeudi 28 août 2008

PS rejeita debate de urgência sobre crime violento pedido pelo PP

O CDS-PP defende a realização de uma reunião extraordinária da Comissão Permanente da Assembleia da República para debater a "onda de criminalidade violenta" dos últimos tempos em Portugal. O PS vai inviabilizar este pedido.
O líder parlamentar dos centristas, Diogo Feio, disse à Agência Lusa que o partido comunicou, terça-feira, ao presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, essa pretensão, uma vez que o Parlamento não pode ficar "de braços cruzados a assistir todos os dias a um aumento da criminalidade sem fazer o que quer que seja".
"O país está a assistir todos os dias a um conjunto de actos que demonstram um clima e uma onda de violência que preocupa bastante as pessoas, gera situações de insegurança e o Parlamento não pode ficar a assistir de braços cruzados", justificou.
"O Governo também tem que ser confrontado com o que se está a passar", disse, sublinhando que o CDS/PP não pretende discutir o desempenho do ministro da Administração Interna, Rui Pereira, uma vez que o que está em causa "são políticas e não pessoas".
Diogo Feio defendeu que a Assembleia da República tem que dar o exemplo e "dar voz" ao sentimento e preocupações dos portugueses.
PS contra debate extraordinário
O grupo parlamentar do PS vai inviabilizar o pedido do CDS-PP, mas garante que está disponível para discutir o tema dentro do "calendário estabelecido pelo Parlamento".
"Não entendemos que a situação que se vive no país seja de tal forma extraordinária que fundamente a convocação extraordinária da comissão permanente", referiu o vice-presidente da bancada socialista Ricardo Rodrigues.
No entanto, sublinhou, "o PS entende que a audição de ministros é normal em democracia" e está disponível para viabilizar a audição do ministro da Administração Interna, Rui Pereira, "dentro do calendário estabelecido pela Assembleia". O deputado lembrou que está marcada uma reunião ordinária da comissão permanente para 9 de Setembro
JN

samedi 23 août 2008

Onda de violência coloca pressão no Governo

PSD exige saída do MAI, e até no PS se pedem medidas
As críticas à falta de actuação do Governo e do ministro da Administração Interna face aos crimes violentos das últimas semanas sucedem-se. E vêm não só da Oposição, mas também de dentro do próprio PS. E até o PSD já pede a demissão de Rui Pereira.
Vital Moreira já tinha feito oaviso, num comentário publicado anteontem no seu blogue: "A segurança de pessoas e bens é a primeira missão de qualquer Estado e de qualquer Governo. Um Governo de Esquerda moderna não pode padecer da pecha tradicional dos governos de Esquerda, de "moleza" em matéria de segurança." O constitucionalista, próximo do PS, exigiu, por isso, "uma posição política firme do Governo e a tomada de medidas apropriadas" para combater "o notório aumento dos crimes violentos contra a propriedade ".
Ontem, em declarações ao JN, foi a vez de Joaquim Raposo, dirigente nacional do PS, líder da Federação de Lisboa e presidente da Câmara da Amadora, alertar que "um Governo de Esquerda tem a obrigação de repor a autoridade das forças policiais, porque o pior que pode acontecer é falta de autoridade". O autarca pediu ainda "mais operações de patrulhamento" para "fazer face ao clima de insegurança que está a aumentar nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto". E garante ao JN, em tom de alerta: "Em algumas zonas, em certas horas, há quem tenha medo de sair à rua".
O tema merece atenção especial dos partidos à Direita. No início da semana, o CDS-PP voltou a chamar Rui Pereira ao Parlamento, depois da mesma audição já ter sido chumbada pela maioria socialista.
Todavia, a reacção mais dura surgiu no final da tarde de ontem. Um comunicado da Comissão Permanente do PSD pediu a demissão de Rui Pereira, acusando José Sócrates de "ignorar os problemas que verdadeiramente estão a preocupar os portugueses" e de tentar "enganosamente transmitir uma ideia de normalidade em matéria de segurança".
Acontece que os alertas não vêm só de meios políticos. Até o director do Gabinete Coordenador da Segurança, Leonel Carvalho, admitiu estar preocupado com a crescente sofisticação e violência dos crimes praticados. E avisou para a necessidade de "ter mais cuidado com o garantismo excessivo de que beneficiam determinados indivíduos que praticam actos criminosos", numa alusão ao recente Código de Processo Penal que também mereceu muitas críticas da Procuradoria-Geral.
Face à pressão mediática, o ministro da Administração Interna foi ontem à SIC, quebrando um silêncio que perdurava desde o término do assalto ao BES. Rui Pereira admitiu a existência de uma onda de violência que "tem causado preocupação". Mas acredita que os crimes registados "provam que o que o Governo tem feito é correcto".
"Não fui de férias", sublinhou o ministro. "Não perdi tempo", disse, explicando que mandou abrir vagas para a Polícia e abrir concurso para compra de armas. A mensagem era clara: "Só cheguei há um ano" e as medidas só têm efeitos em 2009. Rui Pereira ainda elogiou as "políticas correctas" do seu antecessor, mas o registo ficava feito. Depois, ficava a resposta ao PSD "irresponsável": enquanto o "país precisar e o primeiro-ministro confiar em mim" não se demitirá, garantiu.

Manuela Ferreira Leite exige saída de ministro

Quase três semanas depois de se ter votado ao silêncio, o PSD emitiu ontem um comunicado muito duro sobre o estado da segurança interna. Primeiro, acusa m José Sócrates de ignorar os problemas de insegurança violenta das últimas semanas; depois, exigem "a substituição imediata do ministro da Administração Interna [Rui Pereira]". O governante, em entrevista à SIC, já respondeu que se manterá no cargo enquanto o primeiro--ministro confiar nele, não foi de férias, nem regressou, agora, de férias, "para fazer críticas gratuitas de mau gosto", disse Rui Pereira, num ataque a Manuela Ferreira Leite e ao PSD, a quem acusa de não ser um partido construtivo.
A propósito do assalto ao BES, Rui Pereira lembrou que se vulgarizou a ideia de que as polícias não podem usar armas. Por isso, o que tem feito é desmentir essa ideia. "As forças de segurança devem usar a força, em nome do Estado, para garantir a paz pública, usar armas sempre que necessário e podem usar armas contra pessoas em legítima defesa própria e alheia", sustentou o ministro .
Quanto à estratégia, Rui Pereira esclarece: "Vou dizer a minha conversa com os chefes de polícia, que, aliás, têm sido dedicadíssimos. Aquilo que tenho pedido sempre é mais polícia na rua, com mais visibilidade, com mais força, com armas adequadas, mais investigação criminal, associada ao patrulhamento."
Rui Pereira reconheceu a existência de uma onda de crimes, mas fez um apelo à Comunicação Social para dar visibilidade aos casos de sucesso da polícia.
Já o PSD avisa que "recusa pactuar com a tentativa enganosa do primeiro-ministro em transmitir aos portugueses uma ideia de normalidade em matéria de segurança".
CM

vendredi 22 août 2008

Lisboa: Autarquia poupa 852 mil euros por ano na frota de veículos

Câmara corta 168 automóveisA Câmara de Lisboa vai poupar 852 mil euros por ano com o corte de 168 das 401 viaturas da frota municipal de veículos ligeiros de passageiros e mistos. A eliminação desta despesa vai ser assinalada hoje com uma cerimónia de devolução dos primeiros 46 automóveis à empresa locadora, porque "este é um momento para festejar", diz o gabinete de António Costa.
A frota de veículos ligeiros de passageiros e mistos da autarquia é, actualmente, constituída por 401 viaturas, das quais 287 em regime de aluguer operacional e as restantes 114 em regime de propriedade.
Obedecendo a critérios de "racionalização financeira", o executivo de António Costa decidiu reduzir 42 por cento do total da sua frota nestes segmentos. A autarquia vai abater 168 viaturas da actual frota até Novembro, o que representa uma poupança anual de 852 mil euros (600 mil euros do aluguer e 252 mil euros com combustível). Para além do corte com despesas, a medida pretende ser também ambiental. "Queremos incentivar a utilização de transportes públicos", sublinha fonte do gabinete do executivo camarário.
A devolução dos primeiros 46 veículos vai ter lugar hoje nas instalações da Garagem dos Olivais II, numa cerimónia presidida por Marcos Perestrello. Contactado pelo CM, o vice-presidente da autarquia denunciou: "A verdade é que a Câmara tem carros a mais". Marcos Perestrello fez ainda questão de clarificar que, desde que tomou posse, "este executivo não adquiriu quaisquer automóveis". Ainda sobre este assunto, o vice-presidente reservou outros comentários para a cerimónia que hoje tem lugar.
O gabinete de António Costa justifica a pompa e a circunstância com que a Câmara está a assinalar a entrega destes automóveis com o facto de ela se encontrar "numa fase em que os festejos acontecem com os cortes e não com aquilo que se compra". Daí que este seja "um momento muito significativo".
Source correio da manhã

Jardim: "A grande base doutrinal é a Igreja Católica"

Comemoração. O Funchal fez 500 anos, Jardim participou na sessão. A doutrina da Igreja Católica foi a base do seu discurso. O líder madeirense manifestou-se contra as chamadas "causas fracturantes" porque "traduzem uma vontade exótica e agressiva de quebrar o articulado lógico dos valores pátrios"
Alberto João Jardim interrompeu as férias no Porto Santo para celebrar os 500 anos de elevação do Funchal a cidade. O discurso do presidente da Madeira, na sessão solene dos Paços do Concelho, soou mais a "campanha de evangelização", "um dever dos políticos", do que a intervenção política, omitindo por completo a polémica criação do novo Partido Social Federalista, por si anunciado no areal da ilha vizinha. Numa cerimónia atrasada, quente, com sobrevoos dos Asas de Portugal, bem recheada de entidades militares, civis e religiosas, entre elas o cardeal Ivan Dias, alta figura da Cúria Romana, Jardim optou por ler 13 páginas de uma homilia política baseada em valores, dignidade, no "dever de cada um amar o seu próximo". A oportunidade para dizer que foi "a doutrina social da Igreja Católica a grande base doutrinal para os novos tempos", conquistada que foi a autonomia política "após cinco séculos de colonialismo e de extorsão do produto do suor madeirense", afirmou. Aliás, não é segredo confessional que Jardim, logo após o 25 de Abril de 1974, foi escolhido pelo então bispo do Funchal, D. Francisco Santana (já falecido) para dirigir o Jornal da Madeira iniciando, assim, uma carreira política contra o gonçalvismo com o apoio total da igreja. Ontem, o líder madeirense regressou à sua matriz, ao ponto de sustentar que "o povo madeirense participa no projecto nacional português até porque tem a cultura bastante para entender a globalização, esta também um dom de Deus, e para compreender quão ultrapassada está a fórmula do Estado do século XIX", afirmou. Contudo, esse mesmo "povo" percebe que a sua "identidade" deve ser reforçada através da concretização do princípio da subsidiariedade. Portanto, sustentou, se por um lado "os nossos desígnios não são separatistas, por outro lado temos o direito de possuir os mecanismos constitucionais que nos conduzam pelos caminhos do desenvolvimento integral, bem como o Estado português tem o dever de facultá-los", reiterou.Para Jardim é "hipocrisia" falar- -se em legítimas e indiscutíveis necessidades de melhoria das condições de vida dos povos e só "por autoritarismo colonialista e por mediocridade político-partidária se negar os direitos do povo madeirense". Neste âmbito foi claro e preciso. "Um país que pactua com este tipo de comportamentos, que retiram à política a dimensão ética que exige, vive uma situação de decadência"; "um povo que se sinta enganado por compromissos assumidos, mas não cumpridos, e que se mantenha num conformismo podre, assistindo passivo à violação dos seus direitos, que não reaja democraticamente, tem a alma nacional enferma", palavras de Jardim. Só que, acrescentou, os madeirenses sempre recusaram a "decadência, o autoritarismo, a mediocridade e a apatia conformada", atitudes que "não jogam com a nossa idiossincrasia, com a nossa maneira de estar e de viver". Por tudo isto, Jardim reivindica uma "capacidade de evolução permanente" para a Madeira e apresenta razões. "A nossa alma de povo assenta em bases sólidas porque temos causas", referiu. Só que nestas "causas" ficam de fora as chamadas "causas fracturantes", que não enumerou e recusa (leia-se legalização do aborto, divórcio, casamento dos homossexuais) - porque, segundo disse, traduzem uma "vontade conjuntural, exótica e agressiva de quebrar o articulado lógico de valores pátrios". Jardim defende "um debate democrático" que aborde questões de fundo em vez de se perder tempo com "casos pontuais ao sabor dos interesses ilegítimos, onde poder e oposição se limitem ao papel redutor de peças do mesmo sistema esclerosado".

Opinião: "Não existo, logo penso"

Luís Filipe Menezes, Presidente da Câmara de Gaia

O Verão iniciou-se com um surto de assaltos a tribunais, seguiram-se homicídios em bairros suburbanos. Agora, chegou o recrudescimento do carjacking, os ataques à bomba a carrinhas de valores e os assaltos com homicídios a bombas e a ourivesarias. O maior partido da Oposição manteve-se coerentemente silencioso. Só fala a 7 de Setembro, na Universidade de Verão!


A Comunicação Social escrita veio denunciar publicamente o sobrecusto de 40% das empreitadas das novas auto-estradas. O Governo "só" se havia esquecido de contabilizar o valor das expropriações! A liderança do PSD não comenta. Coerentemente, só sairá da sua letargia no primeiro fim-de-semana de Setembro, em Castelo de Vide!
O PSD do Algarve reuniu centenas de militantes e simpatizantes sociais-democratas na tradicional Festa do Pontal. A Direcção do PSD não compareceu. Gente de palavra. Banhos são banhos. Descanso é descanso. Para além da coerência que obriga a não haver misturas com um povão a cheirar a sardinha assada. Prevalece, assim, o voto de castidade verbal, só violável a 7 de Setembro!
Estudos arqueológicos adiados a favor do betão da empreitada da barragem do Sabor, guerra na Geórgia a pedir comentário sob precedente do Kosovo, Jogos Olímpicos a motivarem uma palavra sobre a estrutura da política desportiva nacional, promulgação do novo mapa judiciário não consensualizado com o PSD. Questões menores, face à afirmação eficaz de um novo estilo de liderança que teria remetido um comentário ao terramoto de Lisboa de 1755 para a data de uma qualquer universidade estival! Pobre marquês, com esta gente da "quadratura" estava condenado, o seu estilo era mesmo insuportavelmente populista!
A propósito deste marasmo, recordo o último Verão. Quando a então Direcção do PSD levantou a sua voz contra a onda de criminalidade violenta que grassava em Lisboa e no Porto. Responsabilizando directamente o primeiro-ministro. Chamando o Governo ao Parlamento. Propondo medidas de reforço orçamental na área da segurança. Criando as condições para uma afirmação mais assertiva do Ministério Público. Fazendo propostas alternativas para as novas leis-quadro da segurança interna e investigação criminal.
Recordo as visitas, por mim realizadas, entre outros, aos bairros da Cova da Moura, Quinta do Mocho, Zona J de Chelas, Aleixo. Nessas visitas, alertámos para o clima de pré-implosão que aí se poderia estar a instalar. Falámos então da incidência brutal de desemprego, utilização do rendimento social de inserção, consumo e tráfico de droga, conflitualidade interétnica, vividas nesses bairros. Identificámos esses portugueses, cerca de 700 mil, se contabilizarmos bairros sociais e bairros construídos a custos controlados, como os mais necessitados de uma intervenção pró-activa, em termos de políticas sociais. Para eles, propusemos um polis social, com um investimento, cujas fontes de financiamento foram identificadas, de dois mil milhões de euros em quatro anos.
Recordo os pontais de Sá Carneiro, Cavaco Silva, Fernando Nogueira. Líderes horrivelmente viciados numa política pé--descalço, própria do parque jurássico da democracia. Agora, com esta Direcção, os Obama, os Clinton e os McCain deste mundo passaram a ser o paradigma de uma atitude ultrapassada de viver a democracia. Gente que pratica o mau exemplo de andar anos a mendigar votos às bases partidárias, a almoçar em cantinas, a visitar recônditas aldeias, a aturar polícias e bombeiros e quermesses de idosos de todas as cores. Verdadeiros trogloditas e irresponsáveis, que vão gastar milhões de dólares nesses insuportáveis clímaxes de política espectáculo, apelidados de convenções! Espero que, coerentemente, apesar de convidado para o efeito, este PSD lá não esteja presente!
Recordo a guerra estival que o PS desencadeou contra Cavaco Silva por causa das gravuras do Côa. Será que as do Sabor sabem nadar?, ou será que a actual Direcção do PSD não quer incomodar de todo os interesses instalados?
Recordo a posição, então criticada, que a minha Direcção tomou contra o reconhecimento do Kosovo. Alertámos para o precedente que ia abrir-se. O conflito da Geórgia teria sido uma boa oportunidade para reafirmar a nossa atitude. A não ser que venha aí uma mudança de posição, na esteira do habitual seguidismo de uma diplomacia sem alma.
A polémica à volta da selecção olímpica já deveria ter merecido uma palavra por parte de quem aspira a governar o país. Uma palavra de apoio a atletas como Gustavo Lima, Naide Gomes, Pedro Póvoa ou Francis Obikuelu, que merecem respeito e estímulo, uma palavra sob uma filosofia de formação que, apesar da postura positiva do actual secretário de Estado, ainda não entendeu que o princípio de tudo tem de estar num forte desporto escolar, uma palavra de regozijo dirigido a Nélson Évora e a Vanessa Fernandes, dois grandes campeões. Eu sei que a Vanessa é de Gaia, mas palavra de honra que o mérito do seu sucesso não é do presidente da Câmara. É só dela, do seu técnico, da sua família e das gentes de Perosinho. Eu sei que um dos actuais vice-presidentes do PSD foi um dos mais apagados e medíocres responsáveis pela pasta do Desporto. Mas isso é passado. Se fôssemos por aí, julgando o curriculum governativo das actuais Direcção e liderança do PSD, estávamos conversados.
O actual silêncio da Direcção do PSD está errado. Errado porque um país em dificuldades não foi de férias e precisava de ouvir a voz de uma oposição alternativa, errado porque se deu espaço para o primeiro-ministro marcar a rentrée com uma leitura enviesada sobre a economia e o emprego, errada porque as vitórias baseadas exclusivamente no falhanço alheio são efémeras, errado porque em democracia nada substitui o carinho e a mobilização da base social de apoio partidária, algo que ainda não se faz através da net ou da TV. Nada substitui, em democracia, a força do contacto pessoal, do aperto de mão sentido, do olhar profundo nos olhos de um eleitor.
Errado ainda porque a expectativa gerada com um silêncio de dois meses só poderia ser quebrada por uma declaração que abalasse o eleitorado. Como não consta que seja desejável ou justificável declarar a guerra a Marrocos ou a Castela, tudo o que vier do discurso de 7 de Setembro será inevitavelmente pífio.
Oxalá não culpem o impacto mediático do Red Bull, a realizar na mesma data no rio Douro, pelo fiasco anunciado. A ser assim, só restará à nova Direcção do PSD desacreditar Descartes e defender uma nova tese, ajustada ao seu comportamento: "Não existo, logo penso".
Source Jornal de Noticias

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